1. Dúvida

    Olá Daniel, tenho uma empresa de sistemas de energia com meu “namorido” e há uns 2 anos descobri que o que eu amo fazer é design de interiores. Estou trabalhando com ele desde 2001 e antes de concentrar minhas energias na abertura de um novo negócio, sinto necessidade de pesquisar o mercado, ver se o negócio é viável. Passamos por maus momentos, mas hoje a empresa está indo bem. O problema é para me ausentar da empresa, preciso que valha a pena. Tens alguma idéia de por onde devo começar? Desde já agradeço muuuito a tua atenção e aguardo um retorno! Abraço!

    Primeiramente, desculpe a demora no retorno. Os últimos dias foram um pouco corridos e eu ainda estou aprendendo a mexer na comunidade do PEGN.

    Pelo visto, você e seu “namorido” conseguiram estabilizar a empresa atual, o que é uma vitória! Contudo, se entendi corretamente, esta vitória ainda não é sua. Você sente a necessidade de trabalhar com o que gosta e/ou de buscar um retorno financeiro maior.

    Sua dúvida envolve diversas análises que terá de fazer. Seguem sugestões:

    Primeiramente, analise o que exatamente está te incomodando na situação atual:

    - Se estiver insatisfeita exclusivamente com o retorno financeiro, recomendo não abandonar o barco. Não sem lutar! Qualquer negócio exige a evolução do administrador e um novo aprendizado. Se mudar de área, terá de construir seu nome/marca, sua carteira de clientes, seus processos, etc. Isso demorará a dar retorno. Talvez seja mais interessante melhorar o que já tens, nem que para tal seja preciso uma mudança radical.

    - Se estiver insatisfeita exclusivamente com a área, sentindo vontade de seguir sua vocação, sugiro começar a planejar sua mudança, mas com cautela para não prejudicar seu relacionamento conjugal. Converse com o “namorido”, exponha seus sentimentos e tente viabilizar sua saída da empresa atual sem traumas para todas as partes. Isso levará algum tempo, mas com paciência e foco irão aparecendo idéias de como delegar suas atividades. Isso pode envolver a contratação de outra pessoa, a implantação de um sistema informatizado, a descrição dos processos que gerencia para viabilizar treinamentos, etc.

    Feita essa análise, você terá uma visão mais clara de seus objetivos pessoais e profissionais. Se optar pela sua vocação, poderá iniciar seu plano de negócios.

    Por exemplo, pode começar com a pesquisa de mercado para:

    1. Conhecer a fundo os concorrentes, seus serviços e preços

    2. Conhecer como está a demanda pelo serviço de design de interiores:

    2.1. Quais são os públicos? (lojas, classe A, classe B, classe C, etc..)

    2.2. O que eles esperam em relação aos serviços? O que é qualidade para eles?

    2.3. Quanto estão dispostos a pagar? Como querem pagar?

    2.4. Onde buscam este serviço? (internet, indicação, etc.)

    3. Conhecer a fundo os fornecedores.

    Essas são só algumas idéias. Você pode e deve expandi-las. Comece com bate papos com amigos, organize um café e faça um “focus group”, isso lhe dará algumas pistas.

    Espero que estas sugestões a ajude. Não esqueça de me contar depois, rsrs.

    Qualquer dúvida, estou a disposição.


  2. A relação entre “complexidade” e “investimento” no planejamento de empresas

    Em muitos planos de negócios não encontramos uma projeção da capacidade produtiva, mas recentemente percebi que esta é uma questão importante demais para ser deixada em segundo plano, especialmente nas micro e pequenas empresas.

    A maioria dos microempresários se envolve diretamente em todos os processos de sua empresa, da venda à pós-venda. Inicialmente, o volume de trabalho não é uma preocupação, pois o microempresário é polivalente e aventureiro por natureza e vê o aumento do volume de trabalho como algo essencialmente positivo. Aumento de vendas gera aumento de custos e, se os preços não tiverem uma margem suficientemente interessante, o negócio pode deixar de ser lucrativo.

    Contudo, há duas variáveis importantes no processo de formação de preço e que comumente são esquecidas: a capacidade produtiva da empresa e a capacidade produtiva do microempresário. A evolução das vendas deve gerar lucro suficiente para permitir o aumento da capacidade produtiva. Acredito que muitas empresas não crescem ou morrem, pois sua margem não permite o investimento no aumento de capacidade produtiva, sobrecarregando o empresário, até que sua energia se esgote.

    Não é simples identificar essa situação, especialmente nas empresas que possuem processos de alta complexidade. A produção, cobrança e as vendas ficam cheias de regras e burocracias, passando a exigir mais atenção do empresário, tirando seu foco do horizonte e colocando nas tarefas do dia-a-dia.

    Quanto maior a complexidade, mais escondida fica esta armadilha e maior é a necessidade de investimento em mão de obra qualificada, pois o empresário terá sua capacidade produtiva comprometida mais rapidamente. Afinal, treinar e delegar não basta, é preciso ter capital para manter a mão de obra.

    Muitos empresários não levam em consideração esta relação entre complexidade e investimento e acabam por perceber a inviabilidade do negócio tarde demais. O excesso de clientes também pode matar uma empresa, quando a margem não permite que sejam recrutadas e mantidas pessoas de talento.

    Para identificar se seu micro-empreendimento sofre deste problema, faça uma projeção de aumento de vendas e analise se haverá lucratividade suficiente para aumentar a capacidade produtiva, inclusive em nível gerencial, antes que sua energia e empolgação de microempresário, essenciais para a saúde sua e de sua empresa, se esgotem. Se não for, providencie uma análise de preços e custos e aumente sua margem.

    Ter plena consciência de sua capacidade produtiva é o melhor método para não entrar neste beco sem saída, que inviabiliza o crescimento, diminui a qualidade e destrói a saúde.